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Jaime Neves
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MensagemEnviado: Segunda Abr 13, 2009 5:57 pm 
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Perfil de Jaime Neves
Vila Real


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Guerreiro promovido em tempo de paz

Militar de guerra, corajoso, bom comandante. Na vida civil: «bon vivant». Reconhecem-lhe valor pela «democratização» do país.

Não quis frequentar o curso de generais. «O coronel Jaime Neves mantém-se, ainda hoje, austero ao revelar o que em 1980 o fez não ascender. A voz grave do comandante do regimento de operacionais no contragolpe militar do 25 de Novembro de 1975, que pôs termo ao PREC, não perde o timbre nem quando também ele critica, em parte, que seja agora proposta a sua promoção a major-general. «Com 73 anos de idade e depois de ter passado à reserva em 1981, o que quer que lhe diga? Se me têm concedido a promoção na altura, eu teria ficado na tropa. A mim, alterou-me a vida toda!»

Por telefone, o chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), que o informou da proposta – «que, além de merecida, é muito tardia», terá dito o general Pinto Ramalho – perguntou ao coronel como queria que fosse a cerimónia. «Muito simples.» A acontecer, convida a família, uma delegação dos comandos e chefias militares.

Jaime Alberto Gonçalves das Neves, transmontano nascido em Vila Real, é filho de uma família simples de S. Martinho de Anta: o pai, polícia e depois solicitador, a mãe, doméstica. Decidiu-se pela vida militar por ser «a maneira mais fácil de se tirar um curso». Ambição que nunca despegou. Chegou a Lisboa em 1953, quando entrou para a Escola do Exército. Formou-se em Infantaria. «Como qualquer jovem, gostava era de farra, de bailes. Era atrevido (se lhe quiser chamar namoradeiro, chame!).»

Colegas de curso na Escola do Exército, na Amadora, o general Garcia dos Santos considera que Jaime Neves «não tem características para ser oficial general: falta-lhe visão global; apreciação de conjunto; e não tem características pessoais que lhe permitam ser mais que coronel. Tem algumas falhas. Se eu o quiser identificar enquanto militar, acho que é um mercenário: é um homem para a guerra» – afirma o general que puniu o coronel com dez dias de prisão, no princípio dos anos 60, enquanto CEME. «Não podia permitir que dissessem que menti» diz, referindo-se às palavras que Jaime Neves terá dito publicamente sobre uma conversa entre ambos.

Opinião de carácter diferente tem o filho Filipe, 32 anos: «O meu pai é a pessoa que conheço com melhores valores morais, honesto, é um homem de palavra.»

A primeira unidade de Jaime Neves já oficial foi Bragança. Quando vai para o Ultramar, para a guerra, em 1962 tinha passado por Moçambique e Índia. Garante que «nenhum militar nos Comandos fazia a guerra sem saber porquê». E que mesmo ele mantinha-se próximo das suas Companhias: «brincava e puxava por eles». Quando iam para a cidade – Luanda, em Angola, Beira e Tete, em Moçambique – faziam «vida alegre». Pouca gente tinha convicções políticas. «Tenho orgulho em ter passado grande parte da minha vida nos Comandos, orgulho-me de ser português e de me ter realizado como militar em África.»

Luís Filipe Costa, 68 anos, conheceu-o em Tete, onde se tinha estabelecido como electricista. Frequentavam bares como o do Costa cigano, o Aeroclube, o Sporting de Tete. «Bebíamos uns copos, e bem!»

Quando mais tarde se reencontraram em Lisboa, reuniram um grupo de amigos, entre eles o ex-dirigente do Benfica Jorge de Brito e alguns agentes da PJ. Jantavam «às sextas-feiras no Pitéu, na Graça, ou no Gambrinus. E íamos ao Tamila [hoje, um stripclub], na av. Duque de Loulé.» Cada um pagava a sua parte da conta e bebia da sua garrafa de uísque. «O Jaime falava de tropa, que era aquilo que ele era: um militar íntegro, podia andar a noite inteira na borga, se acontecia alguma coisa, era o primeiro a chegar.» Uma vez Luís precisou do amigo. À saída do Tamila atropelaram-no e partiu uma perna. Jaime acompanhou-o a S. José e só o deixou quando o levou para o Hospital Particular.

«O Jaime só agora é que ficou um pouco bolacha, com a neta», conta Luís. Pai de três filhos – Filipe e duas irmãs, de 28 e 40 anos, a mais velha fruto de um relacionamento anterior ao casamento – o coronel tem na neta Maria, 8 anos, uma relação quase de pai. Filipe Neves conta que ele sempre foi «extremoso» para os filhos, agora, mais será com a neta. Com a família não usou do rigor militar. «O coronel em casa é a minha mãe.» Ele trata a sua mulher por «mãe».

Há 27 anos teve uma broncopneumonia e deixou de fumar por dia seis maços de tabaco. Deixou de caçar quando se casou, em 1976. E, agora, já não vê o seu clube, o Benfica, no estádio. «Não dou muitos anos pelo futebol em Portugal. Não há dinheiro.»

Em 1981, quando passou à reserva, Jaime Neves foi trabalhar para o empresário Jorge de Brito como uma espécie de gestor do seu património. Mais tarde, a convite de antigos militares, fundaram a empresa de segurança 2045 – o nome da Companhia 2045 que o coronel foi buscar a Moçambique, em 74, como última missão em África.

Acontece que a vida do coronel mudou por completo, o ano passado, na sequência de um grave acidente de carro. Sofreu um enfarte do miocárdio, tendo sido submetido a dois bypass coronários – conta o amigo Luís Filipe Costa que o general Ramalho Eanes o foi visitar ao hospital, quebrando uma zanga antiga; aliás, há rumores que terão sido os generais Ramalho Eanes e Rocha Vieira a propor esta promoção.

Nesta questão polémica, o general Loureiro dos Santos considera que «a democratização de Portugal se deve a cinco militares, tanto pelo 25 de Abril como no 25 de Novembro de 75: o marechal Costa Gomes, o general Ramalho Eanes, o Jaime Neves, Vasco Lourenço e Melo Antunes». Apesar de defender a promoção do capitão, acredita que se está a abrir um precedente.

Mário Tomé, ex-comandante da Polícia Militar, foi amigo de Jaime Neves no Ultramar. «Era um tipo duro, mas bem disposto. As conversas que tínhamos, a beber uns copos, eram muitas vezes para dizer mal do Estado-Maior ou dos Comandos. Ele aí alinhava.» Só que no 25 de Novembro este homem «corajoso e bom comandante de tropas» encontrou-se com Mário Tomé no lado oposto da barricada. «A primeira coisa que me vem à cabeça sobre ele, nem é sequer ele a atacar o regimento de Polícia; é ele ao serviço da repressão sobre o movimento popular.» A guerra uniu-os, o contragolpe que pôs termo ao PREC separou-os.

DIVERSÃO E «BONS COPOS»

Não esconde que sempre gostou de se divertir. O amigo Luís Filipe Costa, que conheceu em Moçambique e reencontrou em Portugal, confirma. Saíam muitas vezes para «beber uns copos» e, quase sempre, falar de tropa. Bebiam bem, acrescenta. As sextas-feiras eram sagradas para juntar uma dezena de amigos no restaurante Pitéu, na Graça, ou no Gambrinus. Depois, seguiam para os bares da av. Duque de Loulé, Lisboa. «O Jaime gostava muito era de um bom jantar, um bom almoço e uns uísques», conta o amigo. O filho, Filipe Neves, diz também que o pai chegou a coleccionar medalhas comemorativas.

«JÁ É GENERAL» AFIRMA LOUREIRO DOS SANTOS

O general Loureiro dos Santos considera que Jaime Neves «já é major-general». Explica que, por proposta do chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), general Pinto Ramalho, surgiu a promoção, depois foi aprovada pelo Conselho de Estado-Maior e entregue ao ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira. O Presidente da República, Cavaco Silva, deverá aprová-la. «Nunca aconteceu uma promoção não confirmada pelo Presidente», explica. O porta-voz do CEME, Hélder Perdigão, não comenta até conclusão do processo.

ABRIL DE 1974 E NOVEMBRO DE 1975

O coronel Jaime Neves afirma ter tomado parte da revolução de Abril «convicto». Os anos de 1974 e 75 foram difíceis por ter havido uma tentativa do Partido Comunista controlar o País. O coronel fazia parte de um grupo de militares e cidadãos «antitotalitários» e «anticomunistas». Em Novembro de 1975, comandou o regimento de Comandos que pôs termo ao PREC (Período Revolucionário em Curso).

NOTAS

REFORMAS MILITAR E CIVIL VALEM 3830 EUROS

Jaime Neves tinha a sua garrafa de uísque no restaurante habitual. O coronel convidou o filho Filipe aos 15 anos para beberem um copo juntos pela primeira vez.

FARDA DE TROPA NA EMPRESA 2045

Uma das várias fardas da empresa de segurança 2045 é uma réplica da militar, porque o coronel e outros militares criaram a empresa.

14 MISSÕES EM ÁFRICA E NA ÍNDIA

Antes da guerra colonial Jaime Neves tinha estado na Índia e Moçambique. Regressou a Moçambique e esteve em Angola. Tudo em 14 anos.

Bruno Mateus in CM, 2009-04-13
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Jaime Neves, um homem de Vila Real
MensagemEnviado: Sexta Mai 01, 2009 11:30 pm 
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Promovido a Major-general
Vila Real


Jaime Neves, um homem de Vila Real

Jaime Neves, por proposta do Exército, com aprovação das chefias de todos os ramos das forças armadas, aval do ministro da Defesa e confirmação do Presidente da República, foi promovido a Major-general, por ocasião do último 25 de Abril.

Esta prerrogativa que está prevista no estatuto militar, nunca foi utilizada, até hoje, para promover um oficial na reforma e para mais a um posto de topo de carreira. O Notícias de Vila Real não quer deixar passar em claro, nas suas páginas, o momento que honra a cidade onde nasceu e dignifica um dos homens de Abril que tendo desempenhado o seu papel como militar se remeteu às suas funções, sem nunca reclamar exercer cargos políticas ou reclamar honrarias.

Esta promoção foi bem-vinda por uns e contestada por outros. Houve quem a considerasse tardia, enquanto outros, dentro do Exército, a tenham condenado. Gregos e troianos… Jaime Neves nasceu em Vila Real, na freguesia de S. Dinis, em 24 de Março de 1936. Os pais eram naturais de S. Martinho de Anta. Depois dos primeiros estudos em Vila Real, entrou na Escola do Exército em 1953.

A primeira unidade de Jaime Neves já oficial foi Bragança. Serviu na India, em Moçambique e em Angola, onde fez o curso de Comandos. Na sua conduta e acção foi ganhando o estatuto de oficial corajoso, duro, homem de guerra, criativo e com qualidades de chefia. Foi este destemor que o levou, no 25 de Novembro de 1975, a defender, naqueles dias difíceis do PREC, a democracia e a contribuir para que o País não enveredasse por uma ditadura de esquerda.

Esteve com o MFA enquanto o movimento se manteve dentro das linhas iniciais. Afastou-se gradualmente quando a linha esquerdista se foi radicalizando, através a intensa influência do PCP. Esteve ao leme do Regimento dos Comandos da Amadora, desde o Verão de 1974, transformando-o numa força disciplinada e temida: “Vem aí o Jaime Neves” era um dos gritos de satisfação para uns e de receio para outros; “Chamem os Chaimites do Jaime Neves”, era o apelo para solucionar situações consideradas difíceis.

Em 1995 foi-lhe atribuída a medalha de grande-oficial com Palma, da Ordem Militar da Torre e Espada, do valor, Lealdade e Mérito. Agora, aposentado, recebeu a última honraria militar e o reconhecimento do seu papel como defensor da democracia.


RA, 2009-05-01
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