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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
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MensagemEnviado: Segunda Fev 08, 2010 11:12 pm 
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China revela trilho com 3000 pegadas de dinossauro

por PEDRO SOUSA TAVARES
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Diferentes espécies seguiam todas na mesma direcção

Cientistas chineses anunciaram a descoberta de um trilho de dinossauros, com mais de 3000 pegadas de pelo menos seis espécies diferentes, numa cidade no Leste do País.

Além da rara dimensão da descoberta, as pegadas chamam a atenção por se deslocarem todas no mesmo sentido. O que - segundo peritos locais - indica que os animais estavam em migração, ou a fugir em pânico de alguma ameaça súbita.

Wang Haijun, especialista do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia da Academia de Ciências Chinesa, calcula que as pegadas, distribuídas por três camadas distintas, têm mais de 100 milhões de anos. O que as situa em meados do período Cretácico.

Entre as espécies identificadas através das marcas no solo, com diâmetros que vão dos 10 aos 80 centímetros, estão diferentes carnívoros do grupo coelurosauria, incluindo o tiranossauro; e herbívoros como hadrossauro.

As pegadas foram encontradas numa ravina de 2600 metros quadrados, perto de Zhucheng, na província costeira de Shandong. Segundo os cientistas, as escavações vão continuar, prevendo-se que sejam expostas mais pegadas.

Conhecida como a "cidade dos dinossauros", Zhucheng tem mais de 30 sítios de interesse para o seu estudo. Em 2008, já tinha sido descoberto, perto desta mesma cidade, aquele que é considerado pelos chineses o maior jazigo de fósseis de dinossauros do mundo.

Desde então foram desenterrados mais de 7600 fósseis de várias espécies nesse local, num processo que também se deverá prolongar por vários anos.

Ainda que menos populares entre os curiosos do que os fósseis, as pegadas de dinossauro - descobertas também em várias zonas de Portugal (ver caixa) - são uma inestimável fonte de informação para os cientistas. Desde logo, permitem fazer um retrato das espécies que existiam no local em determinada época, e da forma como estas se relacionavam. Mas são também úteis para obter pistas sobre a forma de locomoção e a própria anatomia dos animais.

Em Abril de 2009, já tinha sido descoberto outro sítio de grande interesse com pegadas de dinossauro, em Plagne, França, onde algumas marcas têm 1,5 metros de diâmetro.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Quinta Fev 11, 2010 6:27 pm 
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Decifrado genoma de pessoa morta há quatro mil anos

por FILOMENA NAVES
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Trabalho na 'Nature' é o primeiro que desvenda a quase totalidade do ADN de alguém falecido há muito

Chamaram-lhe Inuk, que significa ser humano na actual língua da Gronelândia. Inuk, que era moreno, tinha olhos castanhos e tendência para a calvície, foi um dos primeiros povoadores daquela região, há mais de quatro mil anos, mas agora regressou dos mortos para contar uma história de pioneirismo e de migrações milenares, graças à genética. Bastou um tufo de cabelos que estava num museu. A partir dele foi possível reconstituir pela primeira vez o genoma quase completo de uma pessoa morta há muito. Esta é também a história de um feito pioneiro da ciência.

O trabalho, publicado hoje na revista Nature, foi realizado por um grupo de investigadores coordenado pelo especialista em genética Eske Willerslev, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, e permitiu sequenciar pela primeira vez 80% do genoma nuclear (a informação genética contida no núcleo da célula) de um ser humano morto há muito. "Até agora, nenhum genoma de um ser humano do passado tinha sido publicado", diz a equipa no seu artigo, referindo que os únicos elementos disponíveis deste tipo eram "alguns milhares de pares de bases do ADN de um neandertal", ou seja, uma porção ínfima da sua informação genética.

No caso de Inuk, os investigadores conseguiram decifrar o astronómico número de três mil milhões de pares de bases (blocos químicos mais elementares) do seu ADN. Para esse êxito, explicaram os investigadores, contou também "o estado de excelente conservação do ADN" devido ao permafrost (solo gelado) no qual se manteve preservado.

Esta não é a primeira vez que o investigador Eske Willerslev se distingue nesta área. Há apenas um ano, foi também ele que coordenou a equipa que reconstruiu o genoma mitocondrial (presente numa estrutura celular chamada mitocondrial) completo de um mamute.

Quanto a Inuk, a sua informação genética mostra que ele tinha o grupo sanguíneo A positivo e que pertenceu ao primeiro povo povoador da Gronelândia, os saqqaq, que migraram para aquelas paragens há cerca de seis mil anos, vindos da Sibéria. Ainda é com os actuais povos siberianos que Inuk mais se parece, e não com os actuais esquimós.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Domingo Fev 14, 2010 6:27 pm 
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Lentes dentro dos olhos para deixar os óculos de vez

por CATARINA CRISTÃO
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As lentes intra-oculares estão cada vez mais na moda, seja por razões de saúde ou de imagem. Utilizam-se nos casos mais graves, quando o laser não resolve.

Reinaldo Bartolomeu, de 31 anos, estava farto das lentes de contacto. "Colocá-las todos os dias de manhã e tirá-las à noite era um grande incómodo", explica. Mas sem elas, ou sem os óculos que usava quando chegava a casa, perdia grande parte da visão devido à miopia grave de que sofria desde criança. Há cinco anos pôs fim ao problema e a hábitos de toda a vida. Procurou um oftalmologista que lhe colocou dentro dos olhos lentes definitivas. "Hoje não me preocupo mais com o assunto. Ganhei qualidade de vida, além de melhorar a minha imagem", garante Reinaldo.

A colocação de lentes intra-oculares (através de uma pequena cirurgia que não exige internamento) pode ser feita em Portugal desde há 15 anos. Inicialmente era usada para tratar as cataratas e tornou-se também procurada para corrigir miopias graves, astigmatismo e hipermetropias elevadas - que não podem ser tratadas com laser. Mas, hoje, é cada vez mais usada por pessoas com problemas menos graves, para se verem livres de vez dos incómodos óculos. Os materiais mais compatíveis e maleáveis, com os preços a descer, devido à concorrência, têm ajudado ao aumento da procura.

"Estas lentes são seguras, adaptam-se a cada caso, e oferecem uma excelente qualidade de vida aos pacientes. São o futuro", admite Joaquim Murta, director do Serviço de Oftalmologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC). Este é dos poucos hospitais do País onde só muito recentemente se começou a fazer este tipo de intervenções comparticipadas para os casos de erros refractivos - as cirurgias às cataratas já se fazem nesta unidade de saúde há cerca de 15 anos. "Começámos há um ano a adquirir este tipo de lentes. Já colocámos algumas, mas ainda estão a decorrer concursos públicos para aumentarmos o stock", explica o responsável. Entretanto, a lista de espera aumenta, diz, sem, querer revelar números. "Há muitas pessoas que precisam ou querem colocar estas lentes", sublinha.

Há quem o faça por questões de saúde, mas muitos procuram este tipo de intervenção nas clínicas privadas por razões estéticas. "Há pessoas que colocam estas lentes quando têm pouca graduação, há quem o faça com menos de três dioptrias, não é por necessidade premente", admite. "O laser pode não ser recomendado nesses casos por razões médicas, mas a pessoa pode viver perfeitamente com os óculos", explica Joaquim Murta.

Nos casos graves em que as lentes são recomendadas - pessoas com intolerância às lentes de contacto ou que usam óculos com graduação muito elevada -, esta solução "melhora significativamente a qualidade de vida".

Mas nem todos as podem colocar. A primeira condição é ter mais de 20 anos . "Temos de ter a garantia de que a graduação está estável", explica a oftalmologista Conceição Lobo Fonseca, autora de alguns estudos sobre o assunto, acrescentando: "É necessário esperar dois a três anos e ver se as dioptrias não aumentam."

Já a idade-limite "pode ser estabelecida aos 60, quando se começa a ter outro tipo de problemas oculares como as cataratas", completa o oftalmologista Francisco Versteeg, da clínica I-Qmed, onde se fazem em média 20 intervenções destas por mês. Contudo, diz o clínico, a pessoa não pode ter problemas de saúde, como diabetes, ou outras patologias oculares mais graves.

A cirurgia a laser ainda é a primeira opção dos médicos, por ser "mais fácil e barata". A colocação das lentes é escolhida sobretudo para casos em que o laser não resulta. "O problema é que o laser tem limites, depende da espessura da córnea. É como se fosse uma escavação, e só posso escavar até certo limite, caso contrário fura-se o olho", explica Adriano Aguilar, da clínica oftalmológica ALM, que, enquanto faz dez cirurgias a laser por semana, põe dez lentes intra- -oculares por mês.

Uma cirurgia a laser a um olho custa perto de 600 euros numa clínica privada, mas uma lente intra-ocular pode chegar ao triplo: entre 1300 e 1600, dependendo se é progressiva ou não (tal como acontece com as lentes vulgares).

"Pode colocar-se uma lente monofocal, para corrigir a visão ao longe, mas neste caso a pessoa teria sempre de usar óculos para ver ao perto. Já as lentes progressivas, ou bifocais, são mais caras, mas permitem ver ao longe e ao perto", salienta Conceição Lobo Fonseca.

Depois de colocadas, são raros os casos em que são substituídas: "Só quando são substituídas por lentes para as cataratas. Se a graduação do olho aumentar, resolve--se com o laser", conclui Adriano Aguilar.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Terça Fev 16, 2010 8:06 pm 
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Corais fósseis mostram nível do mar no passado

por FILOMENA NAVES
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Houve alturas em que o oceano subiu mais depressa devido ao degelo nas regiões polares. Olhar para esse fenómeno através de fósseis marinhos é o objectivo.

Com meio milhão de anos, a Grande Barreira de Coral, junto à costa australiana, encerra uma riqueza de biodiversidade que faz dela um paraíso de estudo para os biólogos. No entanto, não se ficam por aqui as potencialidades daquele conjunto de bancos de coral para a ciência. Para um grupo de investigadores liderado pelo geólogo marinho Alan Stevenson, da British Geological Survey, aquela região vai tornar-se numa máquina do tempo, para ajudar a medir o nível do mar em diferentes momentos do passado. Um conhecimento que poderá dar novas pistas para o que nos espera no futuro.

A equipa prepara-se para partir numa expedição de 45 dias para a Grande Barreira de Coral, onde conta recolher amostras de corais fossilizados em 40 diferentes locais para tentar desenhar exactamente a linha que define as alterações do nível do mar ao longo dos últimos 20 mil anos.

Os corais, tal como as árvores, têm uma taxa de crescimento anual que se traduz em anéis de crescimento. Através da sua contagem e análise, os cientistas podem inferir datas e idades e perceber ainda teores de oxigénio, de sais e de dióxido de carbono do meio ambiente naquelas épocas.

"Podemos analisar aqueles anéis para construir uma imagem muito detalhada de como o oceano era quando aqueles corais se formaram, incluindo a sua temperatura e salinidade na altura", explicou Alan Stevenson à BBC News online.

A equipa recolherá amostras de fósseis de corais de há 10 mil e 20 mil anos, justamente para ir ao encontro desse passado.

"Vamos entrar numa 'cápsula de tempo' de sedimentos que contêm informação sobre a evolução ambiental na barreira de coral desde a última glaciação, há cerca de 20 mil anos", adiantou por seu turno à BBC News Dan Evans, outro geólogo marinho da British Antartic Survey.

De acordo com os conhecimentos actuais, nos últimos 20 mil anos terá havido pelo menos três momentos em que ocorreu um aumento acelerado do nível do mar: há 19 mil anos, há 13,8 mil anos e há 11,3 mil anos.

"Ao compreendermos melhor o passado, poderemos entender também um pouco mais sobre o que nos espera no futuro", explicou o líder da equipa.

O grupo pretende recolher amostras de corais fossilizados a diferentes profundidades no interior do fundo marinho, podendo mesmo chegar aos 150 metros, mas o seu coordenador sublinhou que a ideia é não perturbar de maneira nenhuma aquele habitat coralífero.

As alterações do nível do mar estão directamente relacionadas com as mudanças climáticas que a Terra sofreu ao longo dos últimos milhares de anos, nomeadamente com o degelo que ciclicamente ocorreu nas regiões polares. Com esses degelos, em épocas mais quentes, o nível dos oceanos sofreu sempre um aumento. Essa é aliás a principal preocupação relativamente às alterações climáticas que actualmente se perfilam no horizonte devido, pelo menos em parte, às actividades industriais humanas, que estão a saturar a atmosfera da Terra com gases de efeito de estufa e a causar o aquecimento global.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Sexta Fev 19, 2010 12:20 am 
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Português descobre como reduzir os efeitos da velhice

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Trabalho de João Passos pode permitir reduzir danos de doenças cardiovasculares, diabetes e cancro

Um investigador português conseguiu identificar o processo molecular que termina a actividade das células, associado ao seu envelhecimento, o que, não sendo propriamente o elixir da juventude, pode permitir reduzir danos de doenças cardiovasculares, diabetes ou cancro.

João Passos, investigador do Instituto para a Saúde e Envelhecimento (Institute for Ageing and Health) da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, explicou à agência Lusa que o mecanismo agora identificado se justifica para a divisão celular - um processo normal no organismo que cessa a partir de determinado momento, impedindo a regeneração dos tecidos associada ao envelhecimento.

O facto de as células pararem a sua actividade estava identificado há 60 anos, mas desconhecia-se qual o processo molecular que desencadeava esta inactividade.

O também primeiro autor do trabalho de investigação publicado terça-feira na revista Molecular Systems Biology, detalhou que "cada vez que uma célula se divide existem pequenos fragmentos no núcleo, os telómeros, que são pequenas sequências de ADN localizados no final dos cromossomas [das célula] que vão encurtando".

Este encurtamento dos telómeros desencadeia um percurso molecular para as mitocôndrias - estrutura no citoplasma da célula que produz a energia necessária para esta viver -, que a leva a produzir espécies reactivas de oxigénio que param a divisão celular.

"Este é o mecanismo que explica porque as células não conseguem proliferar continuamente" e ficam senescentes, explicou João Passos, salientando que este estado, a senescência, acaba por ter dois efeitos paradoxais: ao parar a divisão celular, impede-se também a proliferação de células danificadas, o que pode impedir o aparecimento de cancro. Mas, assinalou o investigador, a contínua produção de espécies de oxigénio reactivas, ou radicais livres, pela mitocôndria celular, e que mantém a célula em senescência, acabam por danificar os tecidos à sua volta e desencadear doenças associadas ao envelhecimento, como a diabetes ou problemas cardiovasculares.

João Passos, que integrou uma equipa multidisciplinar nesta investigação, salienta que ainda se está "muito longe" de conseguir intervir na senescência, de forma a atenuar os efeitos da produção de radicais livres e, simultaneamente, travar a proliferação de células cancerosas, mas este é, definitivamente, um "desafio" para o futuro.

"É um processo extremamente complicado, os mecanismos moleculares envolvidos no processo são muito complexos e ainda estamos no início. Identificámos um mecanismo, existem muitos outros mecanismos que temos ainda de descobrir", resume o investigador. João Passos alerta ainda para a necessidade de se cultivar um olhar menos fantasioso em torno da investigação sobre o envelhecimento.

"Não estamos interessados em descobrir o elixir da vida eterna. A população está a envelhecer e o tempo máximo de vida tem aumentado continuamente nos últimos anos. A maior parte da população vai ter mais de 65 anos. O que temos de compreender é a base do envelhecimento para que a vida das pessoas que estão a viver mais tempo melhore, é esse o nosso objectivo".

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Sexta Fev 19, 2010 11:10 pm 
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Áreas protegidas podem salvar pinguim-africano

por FILOMENA NAVES
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A pesca e a fuga dos bancos de sardinha e anchova deixaram esta espécie em perigo

A criação de zonas marinhas interditas à pesca tem efeitos imediatos na conservação de espécies ameaçadas no topo da cadeia alimentar, como o pinguim-africano, que se alimenta de peixe com interesse pesqueiro e está a perder na competição com os predadores humanos. É isso que demonstra um estudo publicado na revista científica Biology Letters.

O pinguim-africano (Spheniscus demersus) - uma espécie endémica da região do Cabo, na África do Sul - sofreu uma queda abrupta de 60% entre 2001 e 2009, e em resultado disso está agora classificado como espécie em perigo.

O problema deve-se à escassez de alimento, dizem os cientistas, citados pela Science Daily. Os bancos de sardinha e de anchova, as espécies de que este pinguim se alimenta, emigraram para outras paragens e os que restaram são pescados para a alimentação humana. Mas uma experiência de um grupo de investigadores franco-sul-africanos mostra que criar zonas fechadas à pesca tem um impacto positivo imediato nas populações de pinguins.

Os investigadores do Centro de Ecologia e da universidade de Monpelier, em França, e da universidade sul-africana do Cabo, em colaboração com a agência governamental para as pescas do país africano, interditaram à pesca uma área com cerca de 20 quilómetros de raio em torno do território da maior colónia de pinguins desta espécie, na ilha de Sta. Cruz, em Algoa Bay (Port Elizabeth), desde de Janeiro de 2009.

A 50 quilómetros de distância, na mesma baía, e em volta de uma outra ilha, a Bird Island, onde reside uma outra colónia de pinguins, as actividades pesqueiras mantiveram-se inalteradas.

A equipa estudou o comportamento de procura de alimentos de 91 pinguins das duas colónias em 2008 e em 2009, ou seja, antes e depois do encerramento da área de Sta. Cruz à pesca.

Para isso foram usados aparelhos-miniaturas equipados com GPS e colocados nas costas dos animais, para registar a cada minuto a latitude e longitude dos seus percursos, além da medição da profundidade, segundo a segundo. Os dados recolhidos permitiram aos investigadores avaliar o esforço realizado por cada uma das aves na busca de alimento, com base no tempo de cada percurso, na distância percorrida e no número de mergulhos necessários e a sua profundidade.

Os resultados mostram que em 2008, antes da interdição de pesca em Sta. Cruz, os pinguins daquela colónia faziam 75% dos seus mergulhos em busca de alimento a mais de 20 quilómetros de distância da sua colónia, chegando a percorrer 150 quilómetros em apenas dois dias. Em 2009, três meses depois de a área ter sido encerrada à pesca, 70% dos mergulhos ocorriam a menos de 20 quilómetros da colónia, dentro da área marinha protegida. O tempo gasto na busca de alimento também diminuiu cerca de 30%, o que reduziu os gastos energéticos diários dos pinguins em cerca de 40%.

Na colónia irmã, em Bird Island, os pinguins mantiveram os mesmos padrões de comportamento em 2008 e 2009, mas ainda com maior dispêndio de energia por parte dos animais no segundo período de observação.

De acordo com os cientistas, esta experiência mostra que existem benefícios imediatos na criação de uma área marinha protegida para a preservação das espécies ameaçadas no topo da cadeia alimentar, e confirmou ao mesmo tempo os impactos negativos da indústria de pesca na ecologia dos pinguins-africanos.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Domingo Fev 21, 2010 10:57 pm 
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O lagarto de cabeça azul

por Mariana Correia de Barros
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Único e exclusivo da Península Ibérica, o lagarto-de-água está a desaparecer, devido à perda de 'habitat' resultante do abate da vegetação ripícola e a construção de barragens. As populações isoladas do Sul do País têm um risco acrescido. Mas há mais de 10 anos que não se faz nenhum estudo.

Pouco preocupante. É esta classificação no Livro Vermelho dos Vertebrados que explica talvez o facto de, apesar da rápida regressão das populações, o último estudo sobre o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) datar já de há mais de dez anos.

Exclusivo da Península Ibérica, este pequeno lagarto, de cabeça azul e um tom verde vivo, apenas habita em zonas com permanência de água, o que o torna vulnerável, especialmente quando ocorre em pequenos grupos populacionais isolados.

No Norte a sua distribuição é mais homogénea, mas a população tem vindo a regredir; no sul, existe em menor número, uma vez que "muitas ribeiras têm tendência a secar, logo não há água suficiente para a sua sobrevivência", explica o biólogo José Brito.

No último estudo realizado, estimou-se uma população de 47 mil indivíduos na serra de Monchique, 115 mil em São Mamede e apenas 3,7 mil na serra do Cercal (distribuídas por três ribeiras). Todas são preocupantes, uma vez que para a espécie, populações abaixo dos 500 mil indivíduos são sinónimo de algum risco.

As principais ameaças à espécie estão ligadas aos factores que perturbam as linhas de água onde os lagartos-de-água habitam: construção de barragens, "que arrasa e acaba por afundar as margens das ribeiras e rios"; abate de vegetação ripícola (vegetação típica dos cursos de água, como salgueiros, amieiros, freixos e fetos) e a sua substituição por terrenos de pastoreio ou áreas florestais); e as alterações climáticas. "Uma seca acentuada, que torne as ribeiras em cursos de água temporários, poderá levar à extinção da espécie", salienta o biólogo.

Todavia, até agora "pouco foi feito para proteger a espécie". José Brito participou num estudo exaustivo sobre o lagarto-de-água, realizado entre 1994 e 1996, com o objectivo de assinalar as áreas prioritárias para a conservação. "Identificámos medidas de gestão que deveriam ser tomadas para proteger as populações isoladas, mas tanto quanto sei, nada foi posto em prática", refere.

Um dos objectivos é voltar a analisar em breve estas populações e saber o que lhes aconteceu na última década. "A situação pode ser já preocupante no caso das populações da serra do Cercal, onde deveria ter existido um esforço de implementação suplementar das medidas sugeridas no estudo."
Amante do sol, o lagarto-de-água não hesita em mergulhar na água quando ameaçado. Com uma esperança de vida de oito anos, este pequeno réptil, que pode atingir um máximo de 12 cm, excluindo a longa cauda, alimenta-se basicamente de insectos e aracnídeos, mas também inclui na sua dieta frutas e outros pequenos lagartos.

O Lacerta schreiberi tem ainda uma particularidade que o torna único. Na época da reprodução, entre a Primavera e meados do Verão, a cabeça dos machos ganha um tom azul muito forte. Quanto mais forte, maior o sucesso entre as fêmeas. E mais atractivo também aos olhos de todos os que apreciam a Natureza. Uma razão mais para redobrar os esforços para evitar que o lagarto-de-água tenha o mesmo destino de muitas outras espécies que hoje já só fazem parte do nosso imaginário.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Quarta Fev 24, 2010 5:29 pm 
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Descoberta nova espécie de dinossauro de pescoço longo

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Achado ocorreu nos Estados Unidos. Cientistas encontraram dois crânios intactos do novo saurópode 'Abydossaurus'

Um grupo de paleontólogos descobriu uma nova espécie de dinossauro nos Estados Unidos, no Dinossaur National Monument, no Leste do estado do Utah. Trata-se de mais um brachiossauro, o herbívoro de pescoço comprido imortalizado nos desenhos animados como um dinossauro bonzinho, e os seus descobridores baptizaram-no como Abydossaurus. A descoberta é publicada na revista Naturwissenshaften.

Uma das novidades deste achado, é que, ao contrário do que costuma acontecer, foram encontrados de uma assentada quatro crânios desta espécie, e dois deles estão intactos.

Para se ter uma ideia da invulgaridade que isto representa, é preciso explicar que até hoje só foi possível encontrar oito crânios intactos destes saurópodes, dos 120 tipos que já se conhecem.

O estudo dos ossos descobertos durante a escavação indica que o parente mais chegado desta nova espécie é o brachiossauro, que andou pela Terra 45 milhões de anos antes de do próprio Abydossaurus agora identificado.

Outra conclusão que os investigadores extraíram dos fósseis foi a de que os quatro exemplares eram todos juvenis.

Os quatro crânios descobertos têm muito ainda para dar à ciência e vêm mesmo a calhar, já que os conhecimentos que existem sobre os saurópodes dizem respeito sobretudo ao corpo, a contar do pescoço para baixo. Este achado poderá por isso fornecer novas pistas sobre o seu comportamento alimentar, por exemplo. O estudo já feito sobre a sua dentição mostra que ela era pouco desenvolvida, o que indica por seu turno que aqueles animais mastigavam pouco o que comiam.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Segunda Mar 01, 2010 5:52 pm 
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Caça à baleia cria efeito de estufa

por PEDRO SOUSA TAVARES
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Cientistas estimam que impacto do CO2 libertado em 100 anos equivale a 130 mil km de florestas destruídas.

Ao longos do último século, a caça à baleia resultou na libertação de uma quantidade de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera equivalente à destruição de 130 mil quilómetros quadrados de florestas.

A afirmação foi feita na passada quinta-feira por Andrew Pershing, um especialista norte-americano que trabalhou vários anos com uma equipa da Universidade de Maine para calcular a "pegada" de CO2 de décadas de caça industrial aos grandes cetáceos no último século.

Num encontro de ciências oceânicas, promovido pela Sociedade Norte-Americana de Geofísica, a equipa de Pershing comparou as baleias às "árvores do oceano", devido às quantidades de CO2 acumuladas nos seus grandes corpos. Quantidades que, segundo os investigadores, eram libertadas quando os baleeiros desmanchavam os animais à superfície.

"As baleias, como qualquer outro animal ou planta do planeta, são compostas numa grande percentagem de dióxido de carbono. E quando se mata uma baleia, removendo-a do oceano, está-se a retirar o CO2 do seu sistema de armazenamento e possivelmente a libertá-lo na atmosfera", disse o principal responsável pelo estudo.

Por outro lado, lembraram os investigadores, no passado era frequente o recurso ao óleo de baleia como combustível para as lamparinas, o que terá também potenciado a libertação de gases de efeito de estufa na atmosfera.

Em circunstâncias normais, defendeu Andrew Pershing, o CO2 contido nos corpos das baleias conserva-se por centenas ou milhares de anos nos oceanos. Estes animais são enormes, são predadores de topo, por isso a menos que sejam capturados, o mais provável é que [após a morte] deixem a sua biomassa no fundo do Oceano", explicou.

As conclusões deste estudo foram recebidas com alguma cautela. Mesmo por especialistas ligados a organizações defensoras da natureza. Em declarações ao site noticioso russo Ria Novotsku, Vasily Spiridonov, consultor do programa para os Oceanos do World Wildlife Fund (WWF) relativizou o peso da captura de cetáceos nas alterações climáticas.

"É óbvio que a quebra dramática nas populações de baleias alterou significativamente os ecossistemas oceânicos", admitiu. "No entanto, não creio que a caça à baleia tenha tido impacto significativo nos níveis de dióxido de carbono da atmosfera da Terra."

Os autores do estudo reconheceram que, por comparação com outras actividades industriais desenvolvidas pelo homem, a caça à baleia teve uma expressão relativamente pequena. Porém, insistiram que o seu impacto não deve ser desvalorizado. Até por se tratar, porventura, de uma das primeiras actividades humanas com estas consequências.

Com várias espécies de baleias à beira da extinção, a Comissão Baleeira Internacional (IWC) introduziu uma moratória à caça, em 1986, de forma a permitir a recuperação das populações destes cetáceos.

Porém, pelos menos nove países são responsáveis por centenas de capturas anuais: as elhas Féroe, a Gronelândia, a Islândia, a Indonésia,a Noruega, o Japão, o Canadá, a Rússia e os Estados Unidos. Em parte destes países a pesca é justificada com tradições de grupos minoritários, enquanto noutros (como o Japão) o pretexto é a pesquisa científica.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Terça Mar 02, 2010 1:55 pm 
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Formigas do deserto orientam-se com mapas de odores

por FILOMENA NAVES
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Insectos usam as duas antenas para cheirar em estéreo.

Vêem, mas acima de tudo cheiram. E por causa disso conseguem produzir um sofisticado mapa de odores do local onde se encontram para regressarem direitinhas ao ninho. Se assim não fosse, as formigas do deserto da espécie Cataglyphis fortis perder-se-iam irremediavelmente.

A descoberta é de uma equipa de investigadores do Instituto Max Planck em Jena, na Alemanha, que estudou e treinou formigas daquela espécie no deserto da Tunísia para perceber a sua estratégia de orientação naquela paisagem desolada. O artigo foi publicado na Frontiers in Zoology.

Markus Knaden, Kathrin Steck e Bill Hansson seguiram a pista das formigas no deserto e verificaram que elas saem todos os dias do ninho para procurar alimento. Afastam-se no máximo cerca de cem metros e quando encontram o que querem regressam imediatamente a casa.

Os investigadores identificaram por cromatografia as assinaturas químicas dos odores que as formigas utilizam para se orientarem de regresso ao ninho, através do deserto - cada micro-habitat tem uma assinatura específica que as formigas conseguem reconhecer.

Em seguida, a equipa treinou formigas para estas reconhecerem odores associados à entrada do seus ninhos e fizeram experiências para testar a sua capacidade de reconhecimento daqueles odores específicos, no meio de outros, colocando-as em lugares desconhecidos para elas. E as formigas foram direitinhas ao local com o odor ao qual tinha sido associado o seu ninho durante a fase de aprendizagem.

"Conseguiram aprender a reconhecer os odores e a orientar-se no terreno", explicou o cientista Markus Knaden, citado pela BBC News.

O segredo das formigas é que elas reconhecem os cheiros com as duas antenas e não com uma apenas. Ou seja, elas cheiram em estéreo, como acontece também com os ratos.

Para Markus Knaden, é uma estratégia de sobrevivência numa região extrema. "O deserto hostil parece exigir uma capacidade de orientação que combine qualquer pista disponível", afirmou à BBC News. A equipa quer estudar a seguir a relação entre o odor e a visão no contexto desta estratégia.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Quarta Mar 10, 2010 2:25 pm 
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Sismo do Chile deslocou cidades

por FILOMENA NAVES
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Medições mostram que Concepción, a cidade mais próxima do epicentro, se moveu três metros para Ocidente

O terramoto que atingiu o Chile na madrugada de 27 de Fevereiro foi um dos cinco mais violentos desde que há registos com instrumentos científicos. Foi mesmo ao ponto de deslocar a posição de algumas cidades até três metros para Ocidente, segundo os resultados preliminares de um estudo divulgado ontem.

O sismo atingiu 8,8 na escala de Richter, causou 800 mortos e milhares de desalojados, derrubou habitações, destruiu estradas e fez desabar pontes e viadutos. E de acordo com os resultados de um estudo realizado com GPS [Global Positioning System] por várias universidades e centros de investigação geofísica dos Estados Unidos da América, do Chile e da Argentina, o sismo deslocou três metros para Ocidente a cidade chilena de Concepción, a mais próxima do epicentro do sismo, que ficou praticamente destruída.

Outras cidades em toda a América Latina também se mexeram na mesma direcção, embora não de forma tão exuberante. Valparaíso, também no Chile, mexeu-se 27,7 centímetros e a capital do país andou 23,8 centímetros, enquanto Mendoza, um pouco mais a norte, se moveu 13 centímetros.

Mas não foi apenas no Chile que a geografia se alterou. Também na Argentina houve movimentação de cidades. Desde logo a capital, Buenos Aires, moveu-se 3,9 centímetros. E bem mais longe ainda, no Brasil, Fortaleza e Brasília também não ficaram no mesmo sítio, mas deslocaram-se cerca de um centímetro (ver mapa).

Estes dados preliminares foram divulgados pela Ohio State University, onde é professor e investigador Mike Bevis, que coordena o estudo.

Os investigadores que integram o grupo internacional liderado por Mike Bevis fazem medições por GPS no terreno, na América Latina, desde 1993, no âmbito de um projecto denominado Central and Southern Andes GPS Project (CAP). Por isso, foi fácil fazer agora novas medições para comparar os dados.

A equipa tinha um registo preciso dos dados geográficos por GPS anteriores ao sismo de grande número de cidades na América Latina. Na última semana, após o terramoto, a equipa voltou ao terreno com as suas estações GPS e fez medições.

"Este será um dos sismos mais importantes do ponto de vista do conhecimento, porque temos instrumentos modernos para avaliar este acontecimento que afectou todo o continente e obteremos uma amostra espacial densa das mudanças que ele ali causou", explicou Mike Bevis.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Quinta Mar 11, 2010 12:33 pm 
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Cérebro de Cro-Magnon reconstituído em 3D

por FILOMENA NAVES
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[img]http://dn.sapo.pt/storage/ng1265666.JPG[/im]g


Investigadores franceses digitalizaram interior de crânio para poderem fazer o molde

Chamam-lhe "o velho", porque o seu crânio praticamente intacto era o de um homem idoso. Dos cinco esqueletos de Homo sapiens descobertos em 1868, no abrigo de Cro-Magnon, em Dordogne, no Sudoeste de França, este era o que tinha o melhor crânio. E foi a partir dele que dois paleoantropólogos franceses conseguiram agora, pela primeira vez, reconstituir em 3D o formato do cérebro desse velho, que é literalmente o mais velho antepassado Homo sapiens (com 28 mil anos) descoberto até hoje na Europa.

O crânio, que está ao Museu do Homem, em Paris, foi digitalizado no interior, graças à utilização de um scanner médico, que permitiu descobrir as suas estruturas anatómicas internas, até agora inacessíveis aos cientistas.

O que os cientistas conseguiram com esta digitalização foi encontrar as "impressões digitais" deixadas pelo cérebro na superfície interna do crânio (o endocrânio), que reflectem por isso a forma e a dimensão do cérebro que o ocupou há muitos milhares de anos.

A partir daí, os investigadores Antoine Balzeau e Dominique Grimaud-Hervé, do CNRS e do Museu de História Natural, em Paris, procederam à modelação em 3D do cérebro, em computador e, posteriormente, encomendaram a uma sociedade especializada a reconstrução física do endocrânio e do cérebro num material plástico.

A observação imediata por parte dos investigadores foi a de que aquele cérebro "era claramente maior do que a média actual". Aquele "era uma cérebro muito musculoso", de acordo com os cientistas franceses.

"Ao longo da evolução nos últimos 50 mil anos, a dimensão corporal do homem diminuiu um pouco e o seu crânio também acompanhou em média essa tendência", explicou Antoine Balzeau, sublinhando que "se conhece bastante bem a evolução do cérebro nos homens pré-históricos muito mais para trás, mas desde o surgimento do Homo sapiens, há cerca de 200 mil anos, conhece-se menos sobre a forma como ele evoluiu em formato e dimensão". Este estudo ajudará nesse sentido.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Segunda Mar 15, 2010 11:21 pm 
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Mulheres que tomam a pílula podem viver mais

por T.V.Hoje

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Um estudo publicado na última quinta-feira pelo 'British Medical Journal' defende que as mulheres que tomaram a pílula nalgum momento da sua vida podem viver mais tempo do que as que nunca utilizaram esse método contraceptivo.

O estudo compara o número de mortes de mulheres que tomaram a pílula ? geralmente durante cerca de quatro anos - com as de mulheres que nunca a tomaram , e começou a ser realizado em 1968, envolvendo mais de 46 mil mulheres acompanhadas pelo Serviço Nacional de Saúde britânico.
Segundo os investigadores, as mulheres que tomaram a pílula apresentam uma probabilidade 38% menor de morrer de cancro nos intestinos e de cerca de 12% de morrer de outras doenças.

Os motivos apresentados para esta taxa de mortalidade mais baixa nas mulheres que tomam a pílula não são conhecidos, mas os cientistas calculam que as hormonas para suprimir a ovulação consigam prevenir certas doenças, uma vez que a pílula já demonstrou a sua eficácia na prevenção de cancros ginecológicos e da mama.

Segundo o estudo, a taxa de mortalidade das mulheres que tomaram a pílula, independentemente das doenças de que sofriam, é “significativamente mais baixa” do que a das mulheres que nunca tomaram este contraceptivo oral. Observou-se ainda que as mulheres que tomaram a pílula têm uma taxa de mortalidade mais baixa de doenças circulatórias, cardíacas e de vários cancros, nomeadamente dos intestinos e do foro ginecológico (ovários e colo do útero).

O estudo conclui, assim, que a pílula não está associada ao aumento do risco de mortalidade e pode ter mais benefícios para a saúde do que riscos associados. "No entanto", o estudo ressalva "que o equilíbrio entre riscos e benefícios pode variar globalmente, dependendo dos padrões de utilização do contraceptivo oral e do histórico de risco de doenças" de cada mulher.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Quarta Mar 17, 2010 6:58 pm 
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Cancro está a tornar-se na primeira causa de morte

por Lusa
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Apesar dos progressos significativos na prevenção e tratamento do cancro, esta doença está a tornar-se na primeira causa de morte no mundo devido ao envelhecimento da população e a hábitos perniciosos de consumo, segundo especialistas.

Nos últimos 20 anos, nos Estados Unidos, campanhas de prevenção e importantes avanços clínicos permitiram uma redução de 16 por cento na taxa de mortalidade por cancro, afirmou Susan Gapstur, da American Cancer Society.

Mas a doença continua a ser a segunda causa de morte nos Estados Unidos, onde em 2009, 560 000 pessoas, de cerca de 1,5 milhões de casos diagnosticados, morreram de cancro, adiantou Gapstur terça feira ao apresentar uma edição especial da revista Journal of the American Medical Association (JAMA) dedicada ao cancro.

"Houve progressos notáveis" no tratamento dos cancros infantis e de outros cancros que atingem a próstata, testículos, seios ou cólon, destacaram os investigadores, adiantando que alguns cancros como o do pâncreas, fígado, ovários, cérebro e pulmões "continuam a ser altamente mortais e não reagem às terapias actuais".

Por outro lado, com o aumento de esperança de vida, ao longo das últimas décadas, aumenta o risco de um diagnóstico de cancro.

Cerca de um em cada dois homens e uma mulher e cada três serão portadoras de cancro ao longo da sua vida, segundo a revista. Metade dos casos serão mortais.

Mas muitas das formas de cancro poderiam ser evitadas se houvesse melhores hábitos de vida, referem os investigadores, que dão como exemplo o cancro do pulmão que era "raríssimo no início do século XX", antes se de aumentar o consumo de tabaco.

O cancro do pulmão tornou-se na causa mais comum de cancro nos Estados Unidos a partir dos anos 1970, quando o perigo do tabaco ainda não era tão bem conhecido como hoje.

«Em 1910, menos de 5000 pessoas contraíram cancro do pulmão. Actualmente, há pelo menos 200 000 pacientes por ano", referiu Robert Timmerman, autor de um estudo sobre o tratamento de tumores através de radiação, em casos não operáveis.

Desde 1990, quando o número de casos de cancro de pulmão atingiu o pico mais elevado, a taxa deste tipo de cancro decresceu nos Estados Unidos.

Novos casos de cancro são gerados pela obesidade e excesso de peso.

"Estimativas actuais indicam que dois terços dos norte-americanos são obesos ou têm excesso de peso. E actualmente sabemos que estas condições favorecem diversos tipos de cancro», disse Gapstur.

"Evitar o excesso de peso e a obesidade vão ser factores cruciais na luta contra o cancro", adiantou o médico, referindo que cerca de 100 000 casos de cancro podem ser atribuídos a esta circunstância.

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MensagemEnviado: Quarta Mar 24, 2010 5:20 pm 
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Nintendo adere à moda 3D com lançamento de consola

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A Nintendo anunciou a chegada ao mercado da consola portátil 3DS até Março do próximo ano. O nome não está ainda oficializado, mas corresponde à entrada da companhia de videojogos num dos mais apetecíveis mercados do momento: o dos suportes tridimensionais.

A sucessora da Nintendo TZ não necessita de óculos especiais, ao contrário de algumas das televisões que aí vêm. Mais detalhes, como o preço, serão revelados na feira de jogos E3 marcada para Los Angeles, a 15 de Junho.

A nova consola da Nintendo será compatível com os antigos jogos, que venderam 125 milhões de unidades até ao fim do ano passado. Esses números representaram o renascimento da empresa no mercado dos jogos, anteriormente dominado pela concorrente Sony e pela respectiva PlayStation.

O anúncio da Nintendo coincide com a febre do 3D, do cinema à televisão. Os fabricantes japoneses Sony, Samsung e Panasonic estão a preparar a produção de televisores 3D, que permitirão ver imagens com profundidade com a ajuda de óculos especiais. A Sony planeia ainda apresentar novos jogos para a Playstation 3 com tecnologia tridimensional.

A febre 3D tem outros epicentros, como o fenómeno cinematográfico Avatar, de James Cameron, um dos maiores blockbusters da história do cinema. A moda está a pegar e os representantes de Lady Gaga anunciaram já a vontade da artista em ter um palco 3D numa futura digressão.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Sábado Mar 27, 2010 11:00 pm 
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Os mais rápidos a escrever em telemóvel

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Franklin Page tornou-se recordista mundial, certificado pelo Guinness World Record, ao escrever de forma mais rápida um texto num telemóvel com ecrã táctil.

Usando o Omnia II, da Samsung, Page escreveu as 26 palavras com 160 letras em 35,5 segundos, batendo o anterior recorde de 41,4 segundos.

Em Portugal, arrancou esta semana a primeira fase do LG Mobile World Cup 2010, um campeonato para encontrar "o participante mais rápido a escrever um sms". No ano passado, o vencedor foi Pedro Matias que escreveu 264 caracteres em 1 minuto e 59 segundos


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MensagemEnviado: Quinta Abr 01, 2010 4:22 pm 
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Decifrado genoma do mandarim

por FILOMENA NAVES
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Este é o segundo genoma de uma ave a ser descodificado. O primeiro foi o da galinha. No caso do mandarim, a vantagem é que esta é uma ave cantora, que tem de aprender o seu canto com os pais, tal como acontece com a aprendizagem da linguagem falada nos seres humanos. Estudo envolveu grupo alargado de investigadores de vários países e é publicado hoje na 'Nature'.

Primeiro foram as galinhas, e agora foi a vez de ser descodificado o genoma do mandarim, um pequeno pássaro canoro originário da Austrália, que tem muito que contar. E cantar. Estes são os únicos dois genomas completos de aves até agora decifrados pela ciência. E o do mandarim tem a grande vantagem de desvendar o código de uma espécie que, tal como os seres humanos, tem de aprender as suas vocalizações com os pais - ou com os mais velhos. Esta característica em comum, pensam os cientistas que fizeram o estudo e o publicam hoje na revista Nature, poderá ser uma mais-valia para o estudo das bases genéticas da vocalização humana também.

Realizada por um vasto grupo internacional de cientistas e de centros de investigação, e apoiada pelo National Human Genome Research Institute (NHGRI), nos EUA, a descodificação do genoma do mandarim permitiu identificar mais de 800 genes que têm um papel na capacidade deste pássaro de aprender e elaborar a partir daí os seus cantos.

Mas não ficam por aqui as novidades. Outra descoberta importante tem que ver com o facto de o canto destes passarinhos envolver uma actividade genética regu- latória a nível cerebral que se baseia, não em genes mas em pedaços do genoma que têm sido considerados como junk DNA - ou lixo genético, traduzindo à letra.

Os cientistas já tinham começado a perceber que estes bocados de genoma que não codificam genes, e cuja função foi durante muito tempo um mistério, também estão afinal envolvidos em funções importantes. A descodificação do genoma do mandarim vem não só confirmar isso como dar pistas para algumas possíveis funções. Neste caso a que tem que ver com a elaboração da sua linguagem.

"Comparando o genoma do mandarim com o genoma humano deveremos poder agora ampliar os nossos conhecimentos sobre as vocalizações humanas e a sua aprendizagem", afirmou o director do NHGRI, Eric Green, sublinhando que "essa informação poderá ajudar os investigadores que estão envolvidos no de-senvolvimento de novas formas de diagnóstico e de tratamento de perturbações da linguagem, como a gaguez, ou o autismo".

Para David Clayton, que estuda o sistema neuronal do mandarim e que participou na descodificação do seu genoma, o facto de a equipa ter verificado o envolvimento do tal material genético que não codifica genes na actividade canora destes pássaros "é uma boa surpresa", porque confirma a sua importância.

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MensagemEnviado: Domingo Abr 04, 2010 12:01 pm 
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iPad provoca enchentes na estreia americana

por ALEXANDRE ELIAS
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A loja da Apple em Nova Iorque registou uma enorme afluência de clientes.

Com lançamento europeu agendado para o início de Maio, o iPad chegou já ao mercado americano. Ontem, as lojas Apple e Best Buy, que comercializam o produto nos Estados Unidos da América, registaram enorme afluência dos consumidores atraídos pela novidade e pela hipótese de serem os primeiros a obterem o novo produto da Apple. Na verdade, o quadro que se apresentou, na sexta-feira, à entrada da loja da Apple na 5.ª Avenida, em Nova Iorque, assemelhava-se em muito ao verificado no dia do lançamento do iPhone, com alguns fãs a acamparem à porta da loja durante cinco dias. A continuar ao ritmo presente, a Apple estima vender entre 200 mil e 400 mil exemplares do iPad só no fim-de-semana de lançamento.

O mediático Steve Jobs, CEO e co-fundador da Apple Inc., tornou a empresa num dos maiores e mais ubíquos produtores de gadgets e produtos multimedia do mundo. Depois do iPod, e de uma sucessão de computadores Macintosh redesenhados e cada vez mais portáteis, surgiu o iPhone, que, numa questão de meses, anunciou uma revolução no sector dos telemóveis. Agora, a empresa de Steve Jobs tenta adiantar- -se à ascendência dos e-readers com o iPad, um novo dispositivo pessoal que visa substituir o computador portátil.

Apesar da opção da Apple de não incluir no iPad funcionalidades já disponíveis no iPhone, como uma webcam (talvez por não desejar fazer concorrência ao seu próprio produto), o lançamento do gadget na América prenuncia um sucesso semelhante na Europa, apesar do preço elevado do dispositivo, e da impossibilidade de executar mais do que uma tarefa ao mesmo tempo (o iPad não tem função multitasking) ou a ausência de uma porta USB.

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Maré negra ameaça grande barreira de coral

por FILIPA AMBRÓSIO DE SOUSA
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Petroleiro chinês encalhou num banco de areia junto à ilha de Kepel, Austrália. Está a derramar crude e ameaça um dos mais frágeis ecossistemas do mundo.

A fuga do petróleo de um navio chinês encalhado na costa australiana está a ameaçar a maior barreira de corais do mundo. A grande preocupação é que o petroleiro se parta em dois e a maré negra fique fora de controlo.

O alerta foi dado ontem ao início da manhã - hora portuguesa - pelas autoridades australianas . O Governo e o Estado de Queensland indicaram que o petroleiro Shen Neg 1 encalhou durante a madrugada de sábado num banco de areia a 70 quilómetros da costa, junto à turística ilha australiana de Kepel.
As autoridades alertaram para o perigo de fuga do petroleiro, que transporta 950 toneladas de crude. O navio está já a derramar pequenas quantidades de petróleo.

"A situação é séria e existe um risco muito real de que o barco se parta em dois, fazemos todos os esforços para limitar os danos na grande barreira", sublinhou a governadora de Queensland, Anna Bligh, às diversas agências internacionais.
Anna Bligh afirmou ainda que o navio, de 230 metros de comprimento e que transportava também 65 mil toneladas de carvão, chocou contra a barreira quando navegava à velocidade máxima.

À hora de fecho desta edição, um barco da polícia permanecia junto ao navio para proceder à sua eventual evacuação. E o mar tinha sido pulverizado com um componente químico para estancar o derrame.

A Grande Barreira de Coral é o maior recife de coral do mundo, com uma extensão de cerca de 2.300 quilómetros, situada junto à costa nordeste do estado australiano de Queensland, sendo composta por cerca de 2.900 recifes, 600 ilhas continentais e 300 atóis de coral.

A primeira maré negra de grandes dimensões foi provocada pelo naufrágio do petroleiro Torrey Canyon, no Canal da Mancha, em 1967. Na altura foram derramadas mais de 100 mil toneladas de crude que afectaram cerca de 180 km de praia.

Outra maré negra histórica foi provocada pelo naufrágio do petroleiro Almoco Cadiz, em Março de 1978, que libertou mais de 230 mil toneladas de petróleo, contaminando 320 km de praias.

O maior desastre com petroleiros na história dos EUA foi o derrame de 40 mil toneladas de crude pelo petroleiro Exxon Valdez que encalhou num recife em Prince William Sound, Alasca, na noite de 24 de Março de 1989. Mais recentemente, Portugal e a Galiza, Golfo do México e ainda o Alasca foram afectados.

O impacto destas marés negras nos ecossistemas é enorme. A película formada na superfície da água impede a entrada da luz, que reduz a taxa de fotossíntese das plantas o que diminui a quantidade de oxigénio dissolvido na água provocando asfixia dos peixes e a proliferação de bactérias.

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'Botox' para tratar dores de cabeça ou controlar espamos

por CATARINA CRISTÃO
Hoje

O 'botox' é normalmente associado ao combate ao envelhecimento, mas esta toxina tem muitas outras vantagens médicas. Ajuda os doentes com problemas neurológicos a controlar os efeitos da doença, mas também quem transpira em excesso saúde.

É a técnica da moda para fazer frente às rugas, mas as suas aplicações vão muito além da estética. A toxina botulínica (vulgarmente conhecida por botox) é usada há mais de 20 anos em diversas especialidades médicas, como a neurologia, a dermatologia ou a oftalmologia. Estudos mais recentes indicam que também tem benefícios no combate às alergias e na urologia (texto ao lado).

José Carvalho, de 69 anos, vai levar a próxima injecção de botox no dia 19. Faz este tratamento desde há dez anos, altura em que lhe foi diagnosticada uma distonia cervical. A toxina bloqueia os impulsos nervosos dos músculos, impedindo-os de contrair.

"Apareceu de repente e foi complicado porque tinha movimentos involuntários e repetidos com o pescoço. Descansar a cabeça na almofada à noite era um desafio", conta o ex-bancário e presidente da Associação Portuguesa de Distonia. Hoje faz o tratamento de três em três meses, uma vez que o botox tem efeito temporário, e garante que os resultados são bons. "Agora quase não se nota que mexo a cabeça."

A aplicação pode ser feita no hospital, gratuitamente, ou no privado, depois da compra da ampola na farmácia, com receita médica, por 257,68 euros. A colocação numa clínica chega aos 200 euros.

"A indicação cosmética é um apêndice", confirma Joaquim Ferreira, neurologista no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. "A toxina botulínica começou por ser desenvolvida como uma arma química, mas depressa se descobriu o seu potencial médico. A indicação nuclear é na neurologia e começámos a usá-la em 1989."

Vinte anos depois, em 2009, foram feitos, em Santa Maria, 1200 tratamentos com botox em doenças neurológicas, como em casos de blefarospasmo (encerramento involuntário das pálpebras), distonias musculares, espasmos hemifaciais, contracturas musculares ou outros problemas resultantes de lesões cerebrais, como AVC.

Mais recente em Portugal é a sua aplicação em doentes com dores de cabeça crónicas. "Ainda não foi aprovada pelo Infarmed, mas é uma alternativa quando nenhuma outro tratamento medicamentoso funciona", garante Joaquim Ferreira, lembrando que só se faz em casos pontuais, em hospitais públicos e por médicos especialistas, uma vez que uma má aplicação pode ser fatal. "A aplicação da toxina é feita na testa e nos músculos da nuca, impedindo a passagem dos estímulos nervosos que provocam dor."

O neurologista Castro Caldas mostra-se mais céptico: "Não é inócuo e não aconselho em casos de dores de cabeça."

Pelo contrário, a utilização do botox reúne a aprovação dos médicos na transpiração excessiva. "Uso esta técnica desde há dez anos com bastante regularidade", diz a dermatologista Vera Monteiro Torres, garantindo que o grau de satisfação dos doentes "é muito grande". "Os cremes nem sempre funcionam e a cirurgia é muito invasiva", explica. "É uma solução pratica e fácil de realizar", concorda Miguel Andrade, da clínica Faccia, onde uma aplicação custa entre 430 e 680 euros. É feita sobretudo nas axilas, mãos e pés. O único senão é ter efeito temporário.

O botox foi a solução que Marília Alves encontrou para acabar com o problema que a incomodava desde os 12 anos. "Transpirava muito das axilas e era muito desagradável. Além do desconforto, era o incómodo em relação aos outros", confessa a massagista, de 26 anos. Agora faz a aplicação de ano a ano, desde há três anos, e não se importa de pagar 600 euros pelo tratamento. "É a opção mais eficaz", conclui.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
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Morte de cria de lince-ibérico continua por explicar.

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por FILOMENA NAVESHoje

Análises vão prosseguir em Espanha e em duas semanas saber-se-á algo de concreto. Segunda cria está de boa saúde.

A análise da cria de lince-ibérico que morreu em Silves, no domingo de manhã, "não foi conclusiva e só dentro de duas semanas, depois de mais investigação, se poderá saber mais qualquer coisa sobre a causa da sua morte", como explicou ao DN fonte do ICNB (Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade). A segunda cria não apresenta, entretanto, quaisquer problemas e continua junto da mãe, Azahar, na caixa parideira.

As duas crias, as primeiras que nasceram no Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, em Silves, no dia 4 deste mês, no Domingo de Páscoa, "estiveram sempre bem até domingo, dia em que uma delas morreu de causa aguda e de forma rápida", segundo explicou Rodrigo Serra, especialista em felinos e director do centro de Silves.

Tudo aconteceu no domingo de manhã. Através do circuito de videovigilância, os técnicos aperceberam-se de alguma instabilidade, no decurso da qual Azahar pôs o corpo da cria morta fora da caixa parideira. Tratava-se de uma fêmea, e o seu cadáver, depois de recolhido, pelos técnicos, foi enviado para o Centro de Análises e Diagnóstico de Málaga, em Espanha, já que é esta a entidade à qual o Programa de Cria ibérico atribui este tipo de perícias.

Para já, as análises são inconclusivas, pelo que só daqui a duas semanas, com uma avaliação mais profunda, se poderá saber algo concreto. Uma coisa é certa: não houve maus tratos por parte da progenitora, uma vez que o cadáver não apresenta qualquer tipo de sinal nesse sentido.

Entretanto, a segunda cria continua bem, junto da progenitora, dentro da caixa parideira, e não há indícios de que possa vir a ter problemas.

O risco de mortalidade das crias de lince-ibérico é, no entanto, algo com que os técnicos envolvidos no programa ibérico de conservação da espécie (que tem a pedra basilar na reprodução da espécie em cativeiro) contam à partida, já que a sua ocorrência tem sido uma constante, desde que a reprodução em cativeiro se iniciou em Espanha. Dados divulgados pelo ICNB mostram isso mesmo.

No ano passado, por exemplo, nasceram 28 animais nos centros de reprodução espanhóis e só 17 (39%) sobreviveram até aos dois meses de idade. Em 2008, a média não foi melhor: dos 16 animais que nasceram nesse ano, três morreram ou foram abortados, e outros seis tiveram de ser retirados às suas mães e criados à mão. Ou seja, "em circunstâncias normais provavelmente morreriam", segundo o ICNB.

Os dados do programa em Espanha revelam, ainda, que 70% das fêmeas inexperientes, que são mães pela primeira vez, como é o caso de Azahar, tiveram algum tipo de conduta anormal que levou ao abandono das crias, partos prematuros ou ausência de instinto maternal, embora nada disso tenha sucedido com Azahar.

No centro de Silves prossegue agora a vigilância da cria que se mantém viva, e para já de boa saúde, e da sua mãe, que está calma e continua a cuidar dela. Dentro de duas semanas se saberá algo mais.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Domingo Abr 18, 2010 10:35 am 
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Hiperactividade pode ser sinónimo de depressão

por ANA BELA FERREIRA
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As crianças deprimidas apresentam sintomas diferentes dos adultos: irritabilidade, falta de concentração e hiperactividade são comuns. A doença é por isso subdiagnosticada.

Uma criança demasiado irrequieta, com dificuldade em manter-se concentrada numa tarefa é facilmente apontada como hiperactiva. Mas a persistência destes sintomas podem também ser sinónimo de depressão. Uma doença ainda pouco diagnosticada em crianças portuguesas, mas que os médicos dizem estar a aumentar.

Os números internacionais apontam para que 2% das crianças até aos 12 anos e 8% dos adolescentes tenham episódios depressivos. Números que podem espelhar a realidade nacional. Mas a psicóloga Tatiana Pereira alerta para o facto de que possam haver mais crianças com esta doença, já que um estudo realizado em Espanha revela que 12% das crianças até aos 12 anos têm ou tiveram esta doença.

"A depressão na infância ainda não está categorizada e não é aceite por todos os clínicos", aponta Tatiana Pereira. Isto porque "esta patologia tem características muito diferentes nos adultos e nas crianças", acrescenta a psicóloga que trabalha numa escola.

Assim, entre os quatro e os 13 anos, "mais do que a tristeza, o que se nota é alguma irritabilidade, alterações no sono, no apetite e dificuldades de concentração", explica a pedopsiquiatra Margarida Crujo. A médica interna no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, sublinha, por isso, que no caso de sintomas como a irritabilidade representarem uma depressão, estes devem ser tratados nesse contexto e não isoladamente.

Também o excesso ou falta de energia, a perda ou aumento de peso e a agressividade são indicadores de depressão infantil, lembra Tatiana Pereira. Além das crianças e adolescentes, esta é uma perturbação que pode afectar também bebés a partir dos seis meses.

Nos bebés pode ser mais difícil identificar um comportamento depressivo. No entanto, o pediatra Gomes Pedro considera que basta o médico estar atento a sinais de alheamento, choro, recusa em comer e alterações no sono. "Se o bebé não estiver bem na sua pele, isso nota-se", defende o clínico.

Se os sintomas são diferentes, o tratamento também é diferente para esta população mais nova. Os antidepressivos são quase excluídos e a terapia e apoio psicológico assumem o papel principal para ultrapassar a depressão. "A cura desta doença passa por um bom mediador, que não se centre apenas na criança, mas também na família", justifica Tatiana Pereira.

A mesma opinião é defendida pela pedopsiquiatra Margarida Crujo. "Só em casos mais graves, em que há riscos grandes para a criança e família e que precisam de uma intervenção mais rápida, é que se usam medicamentos", acrescenta.

Mesmo assim, isso só se aplica a adolescentes. Por outro lado, não usar antidepressivos ajuda a "mostrar à criança que ela tem força para ultrapassar estas situações sem uso de medicamentos", refere Tatiana Pereira.

"O sentimento clínico que temos é que a depressão infantil está a aumentar", admite o pediatra Gomes Pedro. Um fenómeno que se deve "às situações de stress, de desemprego, trabalho precário, que os pais enfrentam e que as crianças absorvem", aponta o médico. No mesmo sentido, Tatiana Pereira admite que "o contexto leva a que haja mais depressão".

Mas os especialistas alertam ainda para o facto de uma depressão não ter apenas uma causa directa. Existindo, contudo, factores agudos que podem levar a estados depressivos (ver caixa em baixo).

Ainda que os factores exteriores e sociais desempenhem um papel importante no desenvolvimento de uma depressão, também a genética é importante. E é importante não só na predisposição para sofrer uma depressão mas também para determinar a sua cura.

Mas, mesmo depois de curada, esta patologia pode deixar marcas. "Depois de uma depressão, a criança pode nunca ter uma auto--estima adequada, um baixo rendimento na escola ou alterações na sua personalidade", esclarece Margarida Crujo.

A pedopsiquiatra frisa ainda que uma depressão em idades precoces pode determinar outras doenças na idade adulta, bem como outros episódios depressivos ao longo da vida.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Terça Abr 20, 2010 5:05 pm 
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Fotografado o 'tigre das Terras Altas'

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Os gatos-bravos britânicos são habitualmente esquivos, mas esta semana houve um que não conseguiu escapar à lente de uma câmara fotográfica: o gato-bravo escocês, popularmente conhecido por "tigre das Terras Altas", considerado em perigo de extinção e uma espécie emblemática daquela região.

Este raro momento foi capturado após a colocação de foto-armadilhas - dispositivos de infravermelhos que fazem a câmara fotográfica ou de vídeo disparar de cada vez que um animal passa por ali - nas árvores do Cairngorms National Park, situado no Norte da Escócia. Estes aparelhos conseguem registar imagens dos animais durante períodos que vão até vários meses. "Os gatos-bravos são muito tímidos e reservados. Tornam-se activos principalmente à noite e é realmente difícil para as pessoas aproximarem-se para os poderem ver de maneira apropriada", disse à BBC News David Hetherington, responsável do parque escocês. Para Hetherington, as foto-armadilhas são uma "excelente maneira de se obter uma visão mais aproximada dos locais onde os gatos-bravos vivem, quando estão activos e que habitat estão eles a usar".

Os especialistas acreditam que a população do gato-bravo escocês caiu para cerca de 400 elementos e, por isso, estão em curso iniciativas para impedir que o "tigre das Terras Altas" se extinga. "A maior ameaça para estes gatos é o cruzamento da sua espécie com gatos domésticos", diz o responsável do parque, que explica que "apesar do temperamento diferente, como são geneticamente parecidos, conseguem produzir híbridos férteis".

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MensagemEnviado: Quarta Abr 21, 2010 5:57 pm 
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A riqueza invisível do mar

por FILOMENA NAVES
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Censo revela que 50% a 90% de toda a vida oceânica é microscópica

Como em quase tudo, é na parte escondida, ou ainda ignorada, que se oculta frequentemente a maior riqueza. É assim nos oceanos, onde 50 a 90 por cento da biomassa, ou da vida, é microbiana e, portanto, invisível aos olhos. A conclusão é de uma equipa de biólogos envolvida na elaboração do catálogo mais completo de sempre da vida marinha, o Census Marine Life, cujas conclusões finais serão apresentadas a 4 de Outubro.

Micróbios, zooplâncton, larvas minúsculas, pequeninos seres dos fundos marinhos, todos eles formam em conjunto uma impressionante variedade de vida oceânica que até agora permanecia insuspeita na sua dimensão. Coordenada por biólogos da universidade de Washington, em Seatle (EUA), e do Marine Biological Laboratory, de Massachusetts, no mesmo país, a inventariação desta vida invisível dos mares é uma das linhas de fundo do censo ainda em curso (ver caixa).

"O número total de espécies microbianas marinhas, incluindo as bactérias e os microrganimos unicelulares não nucleados [sem núcleo celular] está provavelmente muito próximo dos mil milhões", adiantou John Baross, da Universidade de Washington e um dos autores do estudo dos seres microscópicos.

Diferenciar todos estes seres minúsculos uns dos outros passou em grande parte por análises genéticas e moleculares, que permitiram fazer a verificação das espécies e descobrir muitas novas.

Feitas as contas, este mundo microbiano dos oceanos constitui entre 50 a 90 por cento da sua biomassa total e o seu peso global poderá ser equivalente a 240 mil milhões de elefantes africanos, de acordo com a estimativa dos biólogos. Dito de outra forma, por cada habitante da Terra, "há 35 elefantes de micróbios marinhos", afirmam os cientistas.

"A amplitude das descobertas na fauna marinha foi de longe a maior no que diz respeito ao mundo microbiano", sublinhou por seu turno Mitch Sogin do Marine Biological Laboratory.

Recorrendo aos métodos tradicionais de avaliação morfológica, os cientistas tinham identificado 20 mil géneros de micróbios marinhos diferentes, mas foi o recurso à análise genética, através de sequenciação dos ADN, que permitiu levantar o véu sobre a enorme riqueza da vida minúscula que pulula nos oceanos. Este conhecimento abre uma nova janela para se compreender a importância de todas estas espécies na cadeia alimentar da Terra, no ciclo do carbono e noutras funções fundamentais que ocorrem no planeta e na vida que o povoa.

Esta biomassa marinha, dizem os cientistas, é responsável por 95 por cento da "respiração oceânica", que por sua vez mantém as condições para a existência de vida no planeta.

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MensagemEnviado: Quinta Abr 22, 2010 2:30 pm 
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Imagens inéditas de explosões e arcos de gases do Sol

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(VÍDEOS E GALERIAS) O Observatório de Dinâmica Solar (SDO), sonda que a NASA lançou em Fevereiro, captou as primeiras imagens inéditas do Sol, como grandes explosões e arcos de gases. O objectivo é compreender os efeitos na Terra da actividade solar .

A sonda custou 800 milhões de dólares e deverá estar operacional durante pelo menos cinco anos. "As imagens do SDO são impressionantes e o nível de detalhe que elas revelam, sem dúvida, vai liderar um novo ramo de investigação, sobre como os campos magnéticos solares se formam e evoluem, levando a uma compreensão muito melhor de como a actividade solar se desenvolve", disse à BBC Brasil um dos cientistas, o professor Richard Harrison, que trabalha no Laboratório Rutherford Appleton, no Reino Unido.

"É como olhar os detalhes de nossa estrela pelo microscópio", vinca o investigador, que figura entre os cientistas que esperam que, no final da missão da sonda, seja possível prever o comportamento do Sol tal como já se faz relativamente ao clima do nosso planeta.





http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interi ... id=1550714

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Quinta Abr 22, 2010 4:19 pm 
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Corvo raro sabe usar instrumentos

por FILOMENA NAVES
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Espécie que existe na Nova Caledónia consegue resolver problemas complexos para obter a sua alimentação

Se o objectivo é obter comida, os corvos-da-nova-caledónia (Corvus moneduloides) não se poupam a rasgos de inteligência. Investigadores da universidade neozelandesa de Auckland, que há anos investigam os comportamentos desta ave rara mostraram agora que estes corvos conseguem usar uma combinação de três objectos para chegar ao seu objectivo: a comida. A investigação foi publicada na Proceedings of the Royal Society B.

Já se sabia que esta espécie de corvo, que é endémica daquele arquipélago situado na Oceânia, manipula instrumentos na natureza para obter alimento. É aliás a única ave que o faz e, às vezes, de forma bem criativa, resolvendo problemas complexos.

A equipa da Universidade de Auckland, coordenada pelo biólogo Russell Gray, já em 2007 tinha verificado que estes corvos conseguem encontrar soluções "inspiradas" em certas situações. Num artigo publicado nesse ano na Current Biology, a equipa dava conta de uma série de experiências com estas aves, em que elas tinham de retirar o seu alimento de um orifício suficientemente fundo para não lhe chegarem apenas com o bico, nem com um pequeno palito que lhes era fornecido. Além desse pequeno pau, os corvos dispunham de uma "caixa de ferramentas" onde existia um palito maior com o tamanho necessário para retirar o alimento do orifício. Só que aceder ao palito maior só era possível recorrendo ao palito mais pequeno. Por incrível que pareça, seis dos sete corvos testados conseguiram executar a tarefa. Agora a equipa de Russell Gray acrescentou novas dificuldades às aves. Desta vez, o palito mais pequeno estava pendurado num cordel e era preciso obtê-lo primeiro, para depois resgatar o pau maior e, com aquele, retirar o alimento do orifício.

A equipa usou outras sete aves retiradas da floresta para a experiência e elas conseguiram perceber como chegar ao alimento. A equipa acredita que a base deste comportamento, só exibido também por primatas, é extremamente complexo. "Foi surpreendente ver como os corvos resolveram o problema", adiantou o investigador Alex Taylor, citado pela BBC News.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Sexta Abr 23, 2010 6:36 pm 
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123 novas espécies descobertas em três anos no Bornéu

por FILOMENA NAVES
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WWF divulgou descobertas e apelou à sua protecção

Ao todo são 123 espécies novas descobertas em apenas três anos. Entre elas estão uma rã sem pulmões, que respira apenas através da pele, uma outra que se lança em altos voos no espaço, ou ainda uma lesma que atira setas de amor como Cupido, para injectar hormonas no parceiro a fim de aumentar as capacidades de reprodução. São apenas a ponta do icebergue de toda a riqueza e enorme diversidade biológica que caracterizam o Bornéu, a ilha tripartida entre a Indonésia, Malásia e o Brunei, no mar do Sul da China.

O anúncio das descobertas foi feito ontem pela organização ambientalista internacional WWF, que tem mantido nos últimos anos missões de investigação na ilha para ali estudar novas espécies e que aproveitou o Dia Mundial da Terra para apelar aos três países para agirem com determinação no sentido de garantirem a protecção da biodiversidade no Coração do Bornéu.

"Sabemos que é impossível para os três governos não desenvolverem na ilha actividades mineiras, florestais ou de plantação de palmeiras [para exploração do óleo de palma]" esclareceu Adam Tomasek, responsável pelo programa "Coração do Bornéu" na WWF . E sublinhou: "O que pedimos é que se estabeleça um equilíbrio entre a preservação e um desenvolvimento durável, para se proteger esta zona única para as gerações futuras."

Foi no Coração do Bornéu, uma vasta região de densas florestas com 220 mil quilómetros quadrados e que os três países acordaram em proteger em 2007, que os biólogos da WWF descobriram as novas espécies e onde continuam regularmente a fazer investigação. Ali se abrigam pelo menos 10 espécies de primatas, 350 de aves, 150 de répteis e anfíbios, além de 10 mil espécies distintas de plantas que são exclusivas daquele habitat e, portanto, únicas em todo o mundo.

"Descobrimos ali três novas espécies por mês, ao longo dos últimos três anos e pelo menos 600 desde há 15 anos", adiantou Adam Tomasek, notando que "as novas descobertas mostram a riqueza e a biodiversidade do Bornéu e permitem esperar mais novidades, algumas susceptíveis de contribuir para futuros tratamentos nas áreas do cancro ou da sida".

Uma das principais causas de desflorestação no Bornéu é a indústria do óleo de palma, e a Indonésia e a Malásia juntas são responsáveis por 85 por cento da produção mundial.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Quinta Abr 29, 2010 5:23 pm 
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Descobertos gelo e elementos orgânicos em asteróide

por FILOMENA NAVES
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Esta é a primeira vez que se encontra água gelada num asteróide

Os asteróides não são afinal os corpos rochosos, poeirentos e desinteressantes que até agora se pensava que eram. Pelo menos um deles, chamado 24 Themis, que orbita o Sol algures entre Marte e Júpiter, não tem de todo essa imagem cinzenta. Pelo contrário, o 24 Themis é um asteróide coberto por uma camada de água gelada, onde também foram identificados materiais orgânicos. Ele é aliás o primeiro em que se encontra tudo isso.

A descoberta, que é publicada na edição de hoje da revista Nature, vem apoiar a ideia partilhada por alguns astrónomos de que os asteróides poderiam ser os responsáveis pela existência de água e elementos orgânicos (essenciais à existência de vida) na Terra.

A equipa das universidades do Tennessee, em Knoxville, e da John Hopkins, ambas nos Estados Unidos, que fez agora esta descoberta, considera aliás que ela poderá ajudar compreender melhor a origem dos oceanos terrestres, bem como o passado do sistema solar.

"A água gelada pode ser mais frequente nos asteróides do que se pensava e ela pode até estar no seu interior", explicam os astrónomos Andrew Rivkin e Joshua Emery no seu artigo.

Trabalhos de investigação anteriores apontavam no sentido de "a água que existe hoje na Terra poderia ter origem em asteróides, mas até agora nunca se tinha descoberto esse elemento em asteróides", sublinha por seu turno o investigador Humberto Campins, da Universidade da Florida, em Orlando, na mesma edição da Nature.

"Os elementos orgânicos que detectámos são aparentemente complexos, com longas cadeias de moléculas", explicou Joshua Emery, citado no serviço noticioso de ciência Eurekalert. De acordo com este investigador, esses elementos orgânicos "poderiam ter chegado à Terra à boleia em meteoritos, dando assim origem ao desenvolvimento da vida aqui".

A descoberta de água gelada em 24 Themis acabou por constituir "uma surpresa" para os investigadores, já que a superfície do asteróide é "demasiado quente" para manter aquela camada de gelo durante muito tempo. A melhor explicação é que "esse gelo deve ser muito abundante no interior daquele asteróide e, possivelmente, no interior de muitos outros", adiantou Joshua Emery.

A investigação de Emery e Rivkin estima que o gelo detectado em 24 Themis deverá ter entre milhares e milhões de anos, dependendo da latitude, o que mostra que esse gelo vai sendo substituído a diferentes ritmos.

Para o astrónomo Henry Hsieh, da Universidade de Queen's, em Belfast, Irlanda do Norte, esta descoberta é o "equivalente astronómico" do aparecimento, em 1938, de um celacanto vivo, um peixe pré-histórico que os paleontólogos pensavam extinto há muito.

O gelo de 24 Themis vai assim ajudar a rescrever a história do sistema solar.

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Sexta Mai 07, 2010 4:48 pm 
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Genoma de neandertal mostra cruzamento com 'Homo sapiens'

por FILOMENA NAVES
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Investigadores publicam hoje na Science primeira versão do genoma do primo mais próximo, e já extinto, do homem moderno

O genoma do neandertal, uma espécie de homem que se extinguiu há 30 mil anos, tem três mil milhões de letras do alfabeto genético: o grupo ATCG que constitui a cadeia de ADN. Mas a leitura desse imenso "livro" genético acaba de ser concluída. O genoma completo do homem de Neandertal, publicado hoje na Science, põe um ponto final no debate sobre se neandertais e Homo sapiens se reproduziram em comum. A resposta é sim. Houve cruzamento entre ambos, e isso terá ocorrido entre há 50 mil e 80 mil anos, no Médio Oriente.

A equipa internacional de investigadores que produziu este primeiro retrato genético dos neandertal foi coordenada por Svante Paabo, do Instituto Max Planck, em Leipzig (Alemanha), e utilizou amostras de ossos de três espécimes do sexo feminino que viveram há entre 38 mil e 44 mil anos. Esses fósseis foram encontrados na gruta de Vindiglia, na Croácia.

"Ter uma primeira versão do genoma dos neandertais é cumprir um sonho antigo", afirmou o líder da equipa, Svante Paabo, notando que, "agora, pela primeira vez, podemos identificar padrões genéticos que nos diferenciam desse parente próximo".

Este primo, que é o mais próximo do Homo sapiens, surgiu há cerca de 400 mil anos em África e migrou para norte, para a Eurásia, onde evoluiu independentemente do Homo sapiens, na Ásia Ocidental, Sul da Sibéria, Médio Oriente ou Península Ibérica.

O sapiens emergiu também em África, há cerca de 270 mil anos, e há 80 mil anos pôs--se, também ele, a caminho do norte, em direcção à Eurásia. O encontro entre ambas as espécies dá-se a partir daí e é isso que mostra a comparação entre o genoma do neandertal e do homem moderno.

Para poderem avaliar diferenças e semelhanças entre ambos e compreender a sua evolução, os investigadores compararam o genoma de neandertal com o de cinco seres humanos modernos: um do Sul de África, outro da África Ocidental, um da Europa Ocidental, outro da China e ainda um da Papuásia-Nova Guiné.

Os resultados mostram que o cruzamento sexual entre as duas espécies deverá ter ocorrido na região do Médio Oriente, há entre 50 mil e 80 mil anos, provavelmente logo após os homens modernos terem saído de África. Nos homens modernos não africanos, dois por cento dos genes provêem dos neandertais. O facto de isso não se verificar nos genomas dos africanos estudados reforça a hipótese de o cruzamento entre ambas as espécies ter ocorrido já fora da África

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Re: Dossier Ciência e Tecnologia
MensagemEnviado: Terça Mai 11, 2010 5:22 pm 
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Android da Google ultrapassa iPhone nos EUA

por DN.pt
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O sistema operativo do iPhone, da Apple, caiu para o terceiro lugar do ranking de smartphones nos EUA. Foi ultrapassado pelo Android, a Google, a nova grande rival da Apple que tem uma política comercial mais agressiva e abrangente, associando-se a vários fabricantes e companhias de telecomunicações. O Research In Motion, dos telemóveis Blackberry, permanece na liderança.

De acordo com a empresa de estudos de mercado NPD Group, no primeiro trimestre do ano a Blackberry tinha uma quota de mercado de 36%. A Apple caiu para o terceiro posto, com 21%, devido ao crescimento dos telemóveis com funcionalidades de computador que possuem sistema operativo da Google, os preferidos de 28% dos consumidores. Os números não incluem as vendas relacionadas com contratos empresariais.

Enquanto o sistema operativo da Apple se limita às várias versões do iPhone e é comercializado pela AT&T, o Android está disponível em vários telemóveis, com destaque para o Motorola Droid e o HTC Droid Eris, que são vendidos por várias companhias.

De acordo com Ross Rubin, um analista da NPD, citado pela CNET, para o crescimento do Android muito têm contribuído as promoções na Verizon, que na compra de um aparelho oferece outro. Além disso, até a AT&T começou a vender telemóveis com o sistema operativo da Google.

“Os fornecedores de wireless ainda são os reis do mercado de telemóveis. A Verizon, em particular, é quem está agora a trazer sucesso ao Android graças às suas promoções e marketing”, afirmou Rubin, adiantando que as subidas nas vendas de telemóveis do sistema Google e de Blackberry permitiu a esta companhia de telecomunicações igualar a AT&T,

Segundo a CNET, a NPD diz que o iPhone continua a ser muito popular – a AT&T vendeu 2,6 milhões no último trimestre –, mas que poderia vender muito mais se não tivesse amarrada a esta companhia, que, sem o iPhone, teria saldo negativo não crescimento de subscrições de planos para 'smartphones'.

Algumas notícias têm dado conta de que esta 'amarra', existente por escolha da própria Apple, poderá acabar em breve com a comercialização de iPhones pela Verizon.

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